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sábado, 19 de março de 2011

3 years of TibetanMedicine- ON LINE

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Rodrigo Correa - Terapeuta Holístico 


Dear readers, 
TME is very pleased to announce some of its activities in 2011

New 3-year Tibetan Medicine online course starting in October 2011. 
The 3-year TM Online courses offer a rare opportunity to have an in depth study of Tibetan medicine and its related sciences, in an online interactive class with a direct access to Dr Pasang Yonten Arya, a prominent senior Tibetan doctor. 
Students receive the theory, in the form of book chapters of "The Essentials of Gyud-shi", a three-book treatise written by Prof. Pasang Y. Arya. This extensive work expounds and explains the traditional Gyud-shi (the Four medical Tantras), but also its contemporary practice and interpretation. Students also receive commentaries and explanations on these texts, in the form of audio and/or video recordings (more than 250 hours throughout the 3 years). Beside this material, several times a year, they participate in interactive online teaching sessions, where they can also ask questions.
Practice training is given in intensive 6-day workshops in Europe (TM course A) under Dr Pasang Arya's direct guidance.
Registrations are open for this class. 


It is with the greatest pleasure that TME announces the launching of
Advanced online courses and seminars for post-graduate students
At the request of graduate students from the New Yuthok institute (Milan), TME is now organizing advanced online seminars, focusing especially on detailed pathologies and case reports. These seminars are restricted to Tibetan Medicine students who have graduated from the New Yuthok Institute or from TME.


Oral transmission of the Gyud-shi
Given by Dr Pasang Y. Arya  / Milan, Italy, July 2-3
In Tibetan Mahayana Buddhism, the oral transmission (lung) is regarded as the soul of the tradition. It is a sound or voice energy continuity that bears the power and energy of the masters lineage. Therefore it connects a student to a precious root teaching that has been transmitted across the centuries through unbroken masters lineages. 
The New Yuthok Institute for Tibetan Medicine (Milan-Italy) has organized numerous courses and seminars on Tibetan Medicine since its foundation. Yet, the treasured tradition of the Gyud-shi's oral transmission has not been given so far. Therefore, the New Yuthok Institute has made a special request to Prof. Pasang Y. Arya to convey that precious lineage blessing to the Institute and its students. For the very first time, Dr. Pasang Y. Arya has accepted to fulfill that request, and will give the oral transmission of the precious Gyud-shi to the Tibetan Medicine students and ex-students (New Yuthok Institute and TME)

With best wishes

TME - Tibetan Medicine Education center

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sexta-feira, 18 de março de 2011

Dza Patrül Rinpoche, orgyen jigme chökyi wangpo · Biografia

dza patrül rinpoche, orgyen jigme chökyi wangpo · biografia

Externamente, ele é o bodhisattva Shantideva;
Internamente, ele é o mahasiddha Shavaripa;
Secretamente, ele é a Liberação Espontânea do Sofrimento [Avalokiteshvara] —
Rogo a Jigme Chökyi Wangpo, Destemido Senhor do Dharma.

Patrül Rinpoche (1808-1887), Orgyen Jigme Chökyi Wangpo, é a emanação da fala de Jigme Lingpa. Foi um dos grandes professores e escritores nyingmapas, cuja vida e ensinamentos são citados até mesmo por eruditos de outras escolas. Apesar de ter sido um dos maiores eruditos e adeptos da escola Nyingma, Patrül Rinpoche viveu como um eremita muito humilde e simples. Falava diretamente e em voz alta, mas cada palavra sua era a palavra da verdade, da sabedoria e do cuidado.

Patrül Rinpoche nasceu na tribo Getse Kongma da linhagem Mugpo Dong, em Karchung Ko'ö no vale Dzachukha, no ano do dragão da terra do décimo quarto Rabjung (1808). Seu pai era Lhawang do grupo Gyalthog e sua mãe era Drölma do grupo Tromza. Pouco tempo depois do seu nascimento, Patrül Rinpoche tentou dizer Om, mas não estava claro. Entretanto, no quinto dia ele disse Om Mani Padme Hum muito claramente. As letras do mantra Om Mani Padme Hum também estavam visíveis em seu pescoço, assim como uma letra Hrih sobre sua língua.

Apesar de ser um tülku de Jigme Lingpa, oficialmente ele foi reconhecido como o tülku de Palge Samten P'hüntsog por Dola Jigme Kalzang. Confirmando o reconhecimento, o primeiro Dodrubchen disse a Jigme Kalzang: "Estou concedendo a transmissão da mente e a transmissão aspiracional dos ensinamentos completos do Longchen Nyingthig sobre ele com o nome Orgyen Jigme Chökyi Wangpo." Pouco tempo depois, Palge Künchog — um sobrinho do último Palge — levou Patrül Rinpoche a Palge Ladrang, a residência do último Palge.

Patrül Rinpoche estudou os ensinamentos dos sutras e dos tantras com muitos mestres, incluindo Dola Jigme Kalzang, Jigme Ngotsar, Gyalse Shenp'hen Thaye, Sönam Palgye e Shechen Thutob Namgyal. Sengtrug Pema Tashi do monastério Dzogchen ordenou-o como monge. Entretanto, seus lamas-raiz foram Jigme Gyalse Nyugu e Do Khyentse. Com Jigme Gyalwe Nyugu, estudou desde o Ngöndro — o treinamento preliminar — até os ensinamentos sobre Tsalung e Dzogpachenpo. De Gyalwe Nyugu, recebeu ensinamentos do Longchen Nyingthig Ngöndro vinte e cinco vezes e fez tantos quantos treinamentos sobre eles. Mais tarde, escreveu as palavras de seu professor sobre o Ngöndro como o famoso texto Künzang Lame Shelung (Palavras da Boca do Lama Samantabhadra, ou Palavras de Meu Professor Perfeito).

Um dia, Do Khyentse — que estava vagando enquanto fazia exercícios esotéricos — apareceu subitamente do lado de fora da tenda de Patrül Rinpoche. Do Khyentse gritou, "Oh Palge! Se você for bravo, venha aqui fora!" Quando Patrül Rinpoche respeitosamente saiu, Do Khyentse agarrou-o pelo cabelo, jogou-o no chão e o arrastou ao redor dele. Naquele momento, Patrül Rinpoche sentiu cheiro de álcool na respiração de Do Khyentse e pensou, "O Buddha expôs os perigos do álcool, porém até mesmo um grande adepto como ele pode ficar bêbado assim." Nesse instante, Do Khyentse soltou Patrül Rinpoche e gritou, "Alas, como vocês intelectuais poderiam ter esses pensamentos maléficos! Seu Cachorro Velho!" Do Khyentse deu uma palmada em sua face, mostrando-lhe seu dedo mínimo (um gesto de insulto) e partiu.

Patrül Rinpoche realizou, "Oh, estou deludido. Ele estava realizando um exercício esotérico para me introduzir à minha natureza iluminada." Patrül Rinpoche ficou dividido por dois sentimentos conflitantes: de choque com seus próprios pensamentos negativos e de maravilhamento com a clarividência de Do Khyentse. Sentando-se, Patrül Rinpoche meditou imediatamente sobre a natureza iluminada de sua mente e nele despertou um estado desperto intrínseco, claro, aberto, como o céu. A partir de então, nele despertou uma realização clara e total como um sol nascente, acima da realização semelhante a um amanhecer que já tinha tido como resultado da introdução que recebeu de Gyalwe Nyugu. Desde então, Patrül Rinpoche brincalhonamente manteve "Cachorro Velho" como seu nome esotérico ou sagrado.

Quando Patrül Rinpoche tinha por volta dos vinte anos, Palge Könchog — o administrador chefe do Palge Ladrang — morreu. Patrül Rinpoche fechou a residência de Palge e começou a viver como um eremita errante.

No monastério Dzogchen, recebeu as transmissões doNyingthig Yabshi e o Longchen Nyingthig do quarto Dzogchen Rinpoche e de Gyalse Shenp'hen Thaye. Então, meditou em longos retiros na caverna Shinje e na caverna Tsering — próximas ao monastério Dzogchen —, onde uma vez Dodrubchen fez seu retiro de anos. Por volta de 1851, do grande erudito Gyalwa Dongag Gyatso — um discípulo tanto de Patrül Rinpoche quanto de Shabkar Tsogdrug Randröl (1781-1851) —, Patrül Rinpoche ouviu detalhes da vida altamente inspiradora de Shabkar. Quando chegou a Golok em seu caminho para ver Shabkar, Patrül Rinpoche ouviu as tristes notícias de que Shabkar tinha acabado de morrer. Patrül Rinpoche voltou e foi para Yarlung Pemakö, a sede de Dodrubchen. Em Yarlung, juntou-se a Gyalse Shenp'hen Thaye (1800-?), que estava vivendo como regente do último Dodrubchen e estava começando os quarenta e cinco dias de ensinamento e prática anuais do Guhyagarbha Mayajala Tantra. Patrül Rinpoche recebeu ensinamentos de Gyalse sobre o Guhyagarbha Tantra e agiu como seu assistente de ensinamento no primeiro ano. O próprio Patrül Rinpoche então presidiu sobre os ensinamentos anuais por mais dois anos.

Patrül Rinpoche foi para os vales Ser, Do, Mar e Dzika. Em numerosas vezes deu ensinamentos sobre oBodhicharyavatara e inspirou toda a população a recitar Om Mani Padme Hum. Nessas áreas, teve grande extensão de sucesso em abolir o sistema de servir carne aos lamas quando viessem realizar serviços rituais. Proclamou regras contra roubar e caçar. Levou o buddhismo na vida de todos e em todas os lares, de modo que não ficasse limitado aos monges, monastérios e gompas.

Patrül Rinpoche visitou o monastério Shugchung e então, durante um longo período de tempo, permaneceu em Shugchen Tago, a residência formal do primeiro Dodrubchen. Apesar de Dodrubchen ter abandonado a residência cerca de meio século antes, ela ainda estava funcionando como um eremitério. Patrül Rinpoche recitou o Kangyurtrês vezes e memorizou muitos sutras.

Então Patrül Rinpoche viveu aos pés de uma árvore em Ari Nag (também conhecido como Dhichung P'hug) durante um longo tempo. Era um elevado campo aberto no meio de uma floresta densa. Ninguém nunca tinha ido lá e as únicas pessoas que eventualmente pudessem vê-lo eram os viajantes do outro lado do vale Do, a cerca de meia milha de distância do rio Do. A floresta Ari é situada nas margens do rio Do, a meio caminho entre Shugchen Tago e o presente monastério de Dodrubchen.

Primeiro, Patrül Rinpoche e Nyoshül Lungtog [Tenpe Nyima, 1829-1901/2] — que viveu ao redor de Patrül Rinpoche e estudou com ele durante vinte e oito anos — permaneceram sozinhos na floresta Ari durante seis meses. Um pequeno saco de tsampa para comer, as roupas do corpo e alguns livros eram as suas posses. Ao meio dia, juntavam-se e comiam um pouco de tsampa. Então, amarravam o saco de tsampa em uma árvore e o deixavam lá até o dia seguinte. Depois disso, Patrül Rinpoche dava ensinamentos a Lungtog sobre alguns versos doBodhicharyavatara. Então, vestindo o trapo branco que era a sua única veste, com uma bengala em sua mão, Patrül Rinpoche desaparecia nas florestas, gritando em voz alta Ha! Ha! Ha! Ha! como um exercício de meditação. No dia seguinte, ao meio-dia, juntavam-se novamente e faziam a mesma coisa.

Em pouco tempo, muitos discípulos chegaram na floresta Ari e Patrül Rinpoche começou a ensinar o Semnyi Ngalso, o Yönten Dzö e outros ensinamentos. Patrül Rinpoche dava ensinamentos e então os discípulos meditavam na floresta. Como não estavam dando muita atenção aos seus arranjos de subsistência, eles tinham muito pouco para comer. Apesar de ser uma floresta densa, não havia vegetação comestível. No começo, o chá que bebiam era forte e saboroso quando o fizeram com folhas de chá frescas; mas depois adicionavam mais e mais água ao chá velho, de modo que este tinha menos e menos sabor e cor. Eles brincavam sobre as diferentes intensidades do chá, chamando-o "chá dos três kayas". O forte era o chá do elaborado Nirmanakaya, o fraco era o chá do simples Sambhogakaya, e o sem sabor era o chá da vacuidade do Dharmakaya. Patrül Rinpoche viu que as propriedades e as condições desejáveis — como ter uma abundância de comida, boas roupas, moradias confortáveis, cumprimentos e fama — são mais um obstáculo do que suporte no progresso espiritual. Ele escreveu:

O sofrimento é bom e a felicidade não é boa.
A felicidade inflama os cinco venenos da paixão.
O sofrimento exaure os karmas ruins acumulados no passado.
O sofrimento é a graça do lama.

A crítica é boa e os cumprimentos não são bons.
Se eu for cumprimentado, ficarei inflado com arrogância.
Se eu for criticado, minhas faltas serão expostas.

A pobreza é boa e a prosperidade não é boa.
A prosperidade causa os grandes sofrimentos do querer mais e do preservar.
A pobreza causa dedicação e a realização do Dharma divino.

Na floresta Ari, um dia Patrül Rinpoche perguntou a Lungtog, "Você se lembra de sua mãe?" Lungtog disse, "Não muito, senhor." Patrül Rinpoche disse, "É porque você não meditou sobre a compaixão. Agora vá naqueles salgueiros e medite sobre o 'reconhecimento da maternidade' e sobre a 'lembrança da bondade da mãe' durante sete dias." Lungtog meditou conforme Patrül Rinpoche tinha instruído e a bodhichitta da bondade amorosa e da compaixão naturalmente se desenvolveu nele, sem qualquer necessidade de esforços adicionais.

Em seguida, Patrül Rinpoche foi ao monastério Dzamthang, um grande centro dos estudos Jonang. Lá deu ensinamentos sobre o Uttaratantra baseados nas interpretações de Künkhyen Dölpo. Em Minyak, encontrou Dra Geshe Tsültrim Namgyal, um grande erudito gelugpa que ficou maravilhado com a erudição de Patrül Rinpoche. No monastério Gyap'hag, deu iniciações e ensinamentos de todo o Longchen Nyingthig, que dava muito raramente. Em Golok, domou ladrões selvagens e caçadores cruéis com o poder de sua presença e das palavras da razão. Em Marung, ensinou as pessoas a repetir as palavras da compaixão, Om Mani Padme Hum, pois nem mesmo sabiam como pronunciá-las. Então retornou à floresta Ari do vale Do e permaneceu lá durante algum tempo.

Em 1856/7, Patrül Rinpoche ouviu que Do Khyentse tinha chegado nas montanhas Yutse e Golok a partir do Tartsedo. Patrül Rinpoche foi até lá — uma distância de muitos dias de viagem — para ver Do Khyentse. Patrül Rinpoche pediu que Do Khyentse lhe desse a iniciação de Yumka Dechen Gyalmo do Longchen Nyingthig. Do Khyentse disse, "Tenho a mantido em segredo durante muitos anos, mas agora vou conferi-la sobre você." Com grande alegria, Do Khyentse a transmitiu a Patrül Rinpoche. Entre as muitas profecias dadas por Do Khyentse, estava uma de que Patrül Rinpoche viveria até a idade de oitenta. Então Do Khyentse, o segundo Dodrubchen e Patrül Rinpoche realizaram juntos uma cerimônia cantada, que se tornou um sinal de que renasceriam como irmãos. Patrül Rinpoche retornou ao vale Do e deu ensinamentos sobre o Bodhicharyavatara em muitos lugares.

Depois de viver cerca de dez anos pelos vales Do e Ser, ao redor das sedes de Dodrubchen, Patrül Rinpoche retornou ao monastério Dzogchen. Em Peme Thang, nos eremitérios Nagchung e no colégio Shrisimha do monastério Dzogchen, ensinou o Bodhicharyavatara, oAbhisamayalamkara, o Madhyamakavatara, oMahayanasutralamkara, o Abhidharmakosha, o Guhyagarbha Mayajala Tantra, o Yönten Dzö, o Domsum Namge e muitos outros textos durante alguns anos.

Nyoshül Lungtog Tenpe Nyima permaneceu com Patrül Rinpoche no eremitério Nagchung, próximo ao monastério Dzogchen. Todos os dias, ao pôr-do-sol, Patrül Rinpoche fazia uma seção de meditação sobre o treinamento doNamkha Sumtrug, esticado de costas sobre um carpete novo de lã em um pedaço de campo coberto com capim. Em uma noite, enquanto estava deitado lá como de costume, Patrül Rinpoche perguntou a Lungtog, "Lungche [Caro Lung]! Você disse que não conhece a verdadeira natureza da mente?" Lungtog respondeu, "Sim senhor, eu não a conheço." Patrül Rinpoche disse, "Oh, nada há a não se conhecer. Venha aqui." Então, Lungtog foi até ele. Patrül Rinpoche disse, "Deite-se, assim como eu estou deitado, e olhe para o céu." Quando Lungtog fez isso, a conversação continuou assim:

"Você vê as estrelas no céu?"

"Sim."

"Você ouve os cachorros latindo no monastério Dzogchen [a uma longa distância]?"

"Sim."

"Bem, isso é a meditação."

Naquele momento, Lungtog atingiu confiança na realização em si. Tinha sido liberado dos grilhões conceituais do "é" ou "não é". Tinha realizado a sabedoria primordial, a união nua de vacuidade e estado desperto intrínseco, a mente de Buddha.

Patrül Rinpoche foi a Kathok em peregrinação e deu ensinamentos sobre o Bodhicharyavatara. Encontrou o Tertön Chogyur Lingpa no monastério Dzogchen e recebeu transmissões. Finalmente, retornou a Dzachukha, sua região natal. Visitou quase todos os monastérios e eremitérios no vale Dzachukha, especialmente os eremitérios Gekong e Changma, e ensinou o Bodhicharyavatara e outros textos da filosofia Mahayana. Mas na maioria da última parte de sua vida, Patrül Rinpoche viveu ao redor de Dzagya Gön — a sede de seu lama-raiz Gyalwe Nyugu —, onde os restos de Gyalwe Nyugu permanecem santificados em um relicário. Em Dzagya, estabeleceu os três meses de ensinamento e prática anuais do Bodhicharyavatara, e uma semana de ensinamento e prática sobre a terra pura de Amitabha, o Buddha da Luz Infinita. Quando quer que entrasse no santuário onde os restos de seu professor estão preservados em um relicário, Patrül Rinpoche sempre dizia as seguintes aspirações em voz alta:

Em todas as nossas vidas sucessivas, possamos nunca ser influenciados por quaisquer amigos maus. Em todas as nossas vidas sucessivas, possamos nunca violar nem mesmo um único fio de cabelo dos outros. Em todas as nossas vidas sucessivas, possamos nunca estar separados da luz do Dharma. [Seguido por um verso das escrituras:]

Para quem quer que receba estes ensinamentos de mim e
Até mesmo quem me veja, me ouça, que pense em mim ou se relacione comigo em conversas —
Possa a porta de seu renascimento nos reinos inferiores ser selada
E possa renascer na suprema terra pura de Potala.

No Mamo Dö em Dzachukha, Patrül Rinpoche dedicou muitos anos de esforço para expandir um famoso Dobum, um complexo impressionantemente grande de muros de pedras — e sobre cada pedra, o mantra Om Mani Padme Hum está entalhado muitas vezes. Este muro foi iniciado pelo predecessor de Patrül Rinpoche. Pela primeira vez, Patrül Rinpoche começou a aceitar as oferendas dadas a ele e usava cada pedaço de manteiga como pagamento para as pessoas que estavam ocupadas em entalhar as preces. Quando o muro de pedra foi completado, Patrül Rinpoche enviou um mensageiro a Khyentse Wangpo para pedir que o consagrasse. Nesse dia em particular, grãos de consagração abençoados — jogados por Khyentse Wangpo a uma distância de oito dias de viagem a cavalo — chegaram ao muro de pedra diante dos olhos de todos.

Em Tramalung, ensinou e conduziu a prática de treinamentos preliminares únicos, Trekchö e Thögal. Depois, seu discípulo chefe — Tendzin Norbu (Tenli) — observou, "Antes eu tinha algum entendimento da Grande Perfeição, mas em Tramalung atingi um completo entendimento e realização dele [graças aos ensinamentos e transmissões de Patrül Rinpoche]."

Por volta de 1872, o terceiro Dodrubchen — que estava com oito anos de idade — foi a Dzagya Gön para receber ensinamentos e transmissões de Patrül Rinpoche. Depois de seus ensinamentos, a pedido do próprio Patrül Rinpoche, Dodrubchen deu ensinamentos sobre o Bodhicharyavatara a uma grande reunião pública, que incluía o próprio Patrül Rinpoche. Então, Patrül Rinpoche enviou as boas notícias a Khyentse Wangpo dizendo, "Quanto ao Dharma do aprendizado, Dodrubchen deu ensinamentos sobre o Bodhicharyavatara com a idade de oito. Quanto ao Dharma da realização, Nyagla Pema Düdül [1816-1872] acabou de atingir o corpo de arco-íris. Então, a doutrina de Buddha ainda não foi diminuída."

Patrül Rinpoche era muito bondoso e respeitoso com Dodrubchen e o colocava sobre sua almofada durante seus ensinamentos. No início de uma manhã, Patrül Rinpoche ouviu que Dodrubchen estava chorando. Depois lhe disseram que Dodrubchen tinha cochilado durante suas preces matinais e que seu tutor tinha lhe dado uma surra. Patrül Rinpoche estava tão perturbado com o que o tutor fizera que ele disse a Dodrubchen, "Quando você morrer, não vá para Zangdok Palri [a terra pura de Guru Rinpoche], pois se você o fizer, Guru Rinpoche o enviará de volta porque ele está sempre preocupado com os tibetanos. Apenas vá para Dewachen [a terra pura de Amitabha] e não volte para estas pessoas."

Naquele tempo, Dodrubchen ouvia a voz de Patrül Rinpoche através das paredes de tempos de tempos, dizendo: "Grande senhor Padmasambhava, por favor olhe para mim. Não tenho mais ninguém de que depender..." — as palavras de invocação a Guru Rinpoche do texto Longchen Nyingthig Ngöndro. Isto indica que o Ngöndro deve ter sido uma de suas principais práticas.

A partir da idade de setenta e um, Patrül Rinpoche começou a guardar comida suficiente para cerca de uma semana, o que nunca tinha feito antes. Além disso, Patrül Rinpoche não aceitava oferendas — ou se aceitasse, enviava-as imediatamente como fundos para os construtores do muro de pedra. Às vezes, Patrül Rinpoche apenas deixava a comida no lugar onde foi oferecida, de modo que as pessoas pobres se acostumaram a segui-lo para coletar as oferendas que deixava para trás.

Com a idade de setenta e seis, no campo Dza Mamö, Patrül Rinpoche deu ensinamentos sobre a Prece de Aspiração da Terra Pura e sobre o Mani Kabum a cerca de mil pessoas. Depois disso, não deu mais quaisquer ensinamentos públicos. Quem quer que viesse vê-lo, Patrül Rinpoche enviava a Tendzin Norbu para que dele recebessem ensinamentos. Se as pessoas insistissem, ao invés disso Patrül Rinpoche iria ralhá-los; mas quanto mais Patrül Rinpoche ralhava as pessoas, mais se tornavam devotas a ele. Isso era por causa de seu coração compassivo e de suas palavras não-pretensiosas.

Aos setenta e sete, Patrül Rinpoche foi a Dzagya Gön, convidou o quinto Dzogchen Rinpoche — que estava visitando Dzachukha — e celebraram o décimo dia do mês do macaco do ano do macaco, o nascimento de Guru Rinpoche.

Na idade de setenta e oito, Patrül Rinpoche retornou a Ko'ö, seu lugar de nascimento. Na idade de oitenta, no décimo terceiro dia do quarto mês do ano do porco de fogo (1887), Patrül Rinpoche começou a ter problemas de saúde. No décimo oitavo dia do mês, tomou seu chá da manhã como de costume. Então, antes da tarde, sentou-se nu na postura de Buddha e colocou suas mãos sobre seus joelhos. Khenpo Künpal estava presente e tentou colocar as roupas de volta sobre Patrül Rinpoche, mas ele não reagiu. Depois de um tempo, com seus olhos abertos no olhar meditativo, Patrül Rinpoche estalou seus dedos uma vez, descansou suas mãos no gesto de contemplação e sua mente fundiu-se na pureza primordial. No vigésimo dia do mês, Tsamtrül Rinpoche realizou a cerimônia para despertar a mente de Patrül Rinpoche da absorção.

Em sua morte, nenhum material de qualquer valor foi deixado para trás. Havia um conjunto de mantos monásticos, uma tigela de esmolas, um manto amarelo, uma veste inferior, comida suficiente para cerca de dez dias, um conjunto de cinco textos de Asanga e uma cópia de Madhyamakavatara. Havia cinco moedas de prata e alguns poucos echarpes que Patrül Rinpoche ainda não tinha enviado como fundos para os construtores do muro de pedra. Isso é tudo que ele tinha.

O terceiro Dodrubchen descreve os ensinamentos de Patrül Rinpoche assim:

[Em] quaisquer ensinamentos que deu, ele nunca os apresentou com qualquer rastro de [querer] mostrar sua erudição, mas [sim com] a intenção de que eles se adaptassem ao entendimento dos ouvintes. Se seus ensinamentos forem analisados, eles são vistos como sendo lógicos e significativos. Se forem ouvidos até mesmo por uma pessoa tola, ainda sim são fáceis de compreender. Quando são condensados, são fáceis de entender. São do tamanho adequado, relacionados ao assunto, encantadores e saborosos.

Descrevendo a personalidade de Patrül Rinpoche, o terceiro Dodrubchen escreve:

Patrül usa palavras tenebrosas e esmagadoras, mas não há sinal de ódio ou apego nelas. Se você souber como ouvi-las, elas são, direta ou indiretamente, apenas ensinamentos. O quer quer que ele diga é como ouro sólido — é verdade. Trata todas as pessoas igualmente, sem elogiá-las em sua presença nem caluniá-las em sua ausência. Nunca finge ser alguma [outra] coisa ou alguma outra pessoa. Então todos, altos ou baixos, respeitam-no como um professor autêntico. Não é parcial com pessoas altas, nem tem qualquer desprezo por pessoas ordinárias. Quem quer que esteja envolvido em atividades não-virtuosas, a menos que a pessoa seja imutável, ele escava as faltas dessa pessoa de uma vez e as expõe. Ele louva e inspira as pessoas que estão seguindo uma vida espiritual. Parece difícil servi-lo, mas não importa o quão próximo você está dele — é impossível encontrar uma única instância de desonestidade, dúvida, instabilidade ou hipocrisia nele. É imutável em amizade, fácil e relaxante de ser estar [com ele]. Tem paciência tanto com acontecimentos bons quanto ruins. É difícil de se separar dele. Apesar de ter permanecido como um praticante oculto durante toda a sua vida, ele era beneficente de todos os pontos de vista, pois nunca se desviou das atividades do bodhisattva. Como diz um provérbio: "Mesmo se o ouro permanecer sob a terra, sua luz irradia-se no céu." Na mesma extensão em que você o examina, você o acha claro e puro. Na mesma extensão em que você pensa sobre ele, sua fé nele aumenta.

Descrevendo a aparência física de Patrül Rinpoche, o terceiro Dodrubchen escreve:

Sua cabeça é larga como um pára-sol. Sua face é como um lótus desabrochando e suas faculdades sensoriais são imaculadamente claras. Geralmente tinha muito poucas doenças. Desde a infância, tem sido dotado com grande sabedoria e compaixão e é um orador brilhante.

Khenpo Künpal, que esteve com Patrül Rinpoche durante muitos anos do fim de sua vida, escreve que uma de suas principais preces era o Manjushrinamasangiti. Patrül Rinpoche não apenas não tinha posses mundanas, mas também não tinha muitos livros religiosos — o que se pensa ser o mais importante para um professor erudito. Às vezes tinha uma cópia do Bodhicharyavatara e do Manjushrinamasangiti, que eram suas preces diárias. Mas, às vezes, até mesmo estes livros ele dava a alguém, pois Patrül Rinpoche sabia os textos de cor. Não tinha papel nem uma caneta de bambu. Então, onde quer que estivesse, quando se levantava já estava pronto para deixar o lugar instantaneamente.

Patrül Rinpoche deu ensinamentos sobre textos filosóficos do sutra, do tantra e da Grande Perfeição, e despertou ou transmitiu a realização última às mentes de muitos discípulos afortunados. Entretanto, parece que Patrül Rinpoche deu iniciações ou realizou cerimônias elaboradas em apenas muito poucas ocasiões.

Patrül Rinpoche era não-sectarista em seu ensinamentos, escrituras e práticas. Estudou, praticou e ensinou as tradições buddhistas completas do Tibet. Viu os mestres de diferentes escolas igualmente como o Buddha da Sabedoria:

Senhor Sakya Pandita, que trouxe os cinco conhecimentos,
Senhor Tsongkhapa, a fonte dos ensinamentos do sutra e do tantra, e
Longchen Rabjam, mestre dos ensinamentos completos do Buddha
São os verdadeiros Manjushris da Terra da Neve [Tibet].

Uma pessoa de grande humildade e simplicidade, ainda assim era hábil para acomodar muitos eruditos nobres, ricos, poderosos e famosos como seus discípulos. Muitos discípulos em vestes de brocado, rodeados por hostes de séqüitos, vinham aos pés deste habitante solitário com roupas velhas, esfarrapadas e remendadas, que dificilmente tinha tsampa suficiente para comer ou combustível para aquecer chá. Até mesmo havia ocasiões em que sua humildade envergonhava as pessoas envoltas em brocado cavalgando cavalos, e Patrül Rinpoche expunha suas fraquezas.

Uma vez, Patrül Rinpoche viajou através de um campo nômade a pé, como de costume. Parou em uma família com uma grande tenda e perguntou se poderiam deixá-lo descansar durante alguns dias, pois estava exausto. A família perguntou, "Você pode ler preces?" Patrül Rinpoche respondeu, "Um pouco." Então, eles permitiram alegremente que Patrül Rinpoche entrasse e o deixaram se instalar no canto inferior da tenda. Muitas pessoas estavam ocupadas fazendo objetos rituais, colocando tendas, construindo assentos altos e cozinhando comida para um grande lama e sua comitiva, que estavam vindo para realizar uma cerimônia importante. Depois de alguns dias, ouviram que o grande lama estava chegando e todos correram para recebê-lo. Patrül Rinpoche não saiu. As pessoas gritaram com ele e quase o arrastaram para que se apresentasse diante do lama.

O lama, vestido em brocado, saiu com toda pompa de quase quarenta cavaleiros em comitiva, segurando estandartes em suas mãos como se fosse em um jogo. Patrül Rinpoche não teve escolha a não ser ir diante do grande lama, então ele o fez. Quando o grande lama viu Patrül Rinpoche, ele pulou do seu cavalo e caiu aos pés do mestre, envergonhado com sua pomposa exibição insignificante diante da presença significativa e humilde do grande Patrül Rinpoche. O lama era Minyag Künzang Sönam, um discípulo de Patrül Rinpoche que escreveu um comentário famoso sobre o Bodhicharyavatara. A partir daquele dia, o lama renunciou ao seu modo de vida pomposo, tornou-se um eremita e nunca mais andou a cavalo novamente, mas sim caminhava quando quer que viajasse por aí. As pessoas acreditaram que Patrül Rinpoche tinha previsto a chegada deste encontro através de sua clarividência, uma habilidade que tinha mostrado muitas vezes.

Seus escritos estão agrupados em seis volumes, sobre Dzogpachenpo, sutra, conselhos, poesia e drama. Seus trabalhos mais conhecidos são as instruções elaboradas sobre as práticas preliminares do Longchen Nyingthig, intituladas Palavras da Boca do Lama Samantabhadra[Palavras do Meu Professor Perfeito, tib. Künzang Lame Shelung]; uma instrução curta porém maravilhosa sobre a meditação da Grande Perfeição, intitulada As Três Palavras que Golpeiam os Pontos Cruciais[tib. Tsigsum Nedeg] e um comentário sobre o Abhisamayalamkara.

No Tibet Oriental, Patrül Rinpoche talvez tenha sido o mais instrumental de todos em fazer o Bodhicharyavatara (O Caminho do Treinamento do Bodhisattva) ser um manual para muitos monges; em fazer a Prece Aspiracional para Renascer na Terra Pura Extática de Amitabha ser uma prece diária para muitos leigos; em fazer oGuhyagarbha Mayajala Tantra ser o fundamento da tradição tântrica Nyingma; em fazer os ensinamentos Dzogchen serem não apenas uma tradição textual, mas uma realização meditativa; e, acima de tudo, em fazer o Om Mani Padme Hum ser a respiração perpétua de muitas pessoas.

Entre suas emanações estiverem Jigme Wangpo de Dzagya Gön e Namkha Jigme Dzachukha, um filho de Düdjom Lingpa.

Fonte:http://www.dharmanet.com.br/khyentse/biopatrul.htm

Adaptado de Tulku Thöndup, Masters of meditation and miracles:
Lives of the great Buddhist masters of India and Tibet
.
Editado por Harold Talbott. Boston: Shambhala, 1999. Pág. 201-210.

terça-feira, 15 de março de 2011

A saúde e as emoções - Medicina Bioenergética


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Rodrigo Correa - Terapeuta Holístico 




Entrevista com o Dr. Jorge Carvajal, médico cirurgião da Universidade de Andaluzia, Espanha, pioneiro da Medicina Bioenergética.
10 de março de 2009.

Qual adoece primeiro: o corpo ou a alma?
A alma não pode adoecer, porque é o que há de perfeito em ti, a alma evolui, aprende. Na realidade, boa parte das enfermidades são exatamente o contrário: são a resistência do corpo emocional e mental à alma. Quando nossa personalidade resiste aos desígnios da alma, adoecemos.
A Saúde e as Emoções.

Há emoções prejudiciais à saúde? Quais são as que mais nos prejudicam?
70 por cento das enfermidades do ser humano vêm do campo da consciência emocional. As doenças muitas vezes procedem de emoções não processadas, não expressadas, reprimidas. O medo, que é a ausência de amor, é a grande enfermidade, o denominador comum de boa parte das enfermidades que temos hoje. Quando o temor se congela, afeta os rins, as glândulas suprarrenais, os ossos, a energia vital e pode converter-se em pânico.

Então nos fazemos de fortes e descuidamos de nossa saúde?
De heróis os cemitérios estão cheios. Tens que cuidar de ti. Tens teus  limites, não vás além. Tens que reconhecer quais são os teus limites e superá-los, pois, se não os reconheceres, vais destruir teu corpo.

Como é que a raiva nos afeta?
A raiva é santa, é sagrada, é uma emoção positiva, porque te leva à autoafirmação, à busca do teu território, a defender o que é teu, o que é justo. Porém, quando a raiva se torna irritabilidade, agressividade, ressentimento, ódio, ela se volta contra ti e afeta o fígado, a digestão, o sistema imunológico.

Então a alegria, ao contrário, nos ajuda a permanecer saudáveis?
A alegria é a mais bela das emoções, porque é a emoção da inocência, do coração e é a mais curativa de todas, porque não é contrária a nenhuma outra. Um pouquinho de tristeza com alegria escreve poemas. A alegria com medo leva-nos a contextualizar o medo e a não lhe darmos tanta importância.

A alegria acalma os ânimos?
Sim, a alegria suaviza todas as outras emoções, porque nos permite processá-las a partir da inocência. A alegria põe as outras emoções em contato com o coração e dá-lhes um sentido ascendente. Canaliza-as para que  cheguem ao mundo da mente.

E a tristeza?
A tristeza é um sentimento que pode te levar à depressão quando te deixas envolver por ela e não a expressas, porém ela também pode te ajudar. A tristeza te leva a contatares contigo mesmo e a restaurares o controle interno. Todas as emoções negativas têm seu próprio aspecto positivo.Tornamo-las negativas quando as reprimimos.

Convém aceitarmos essas emoções que consideramos negativas como parte de nós mesmos?
Como parte para transformá-las, ou seja, quando se aceitam, fluem, e já não se estancam e podem se transmutar. Temos de as canalizar para que cheguem à cabeça a partir do coração. Que difícil! Sim, é muito difícil! Realmente as emoções básica são o amor e o medo (que é ausência de amor), de modo que tudo que existe é amor, por excesso ou deficiência. Construtivo ou destrutivo. Porque também existe o amor que se aferra, o amor que superprotege, o amor tóxico, destrutivo.

Como prevenir a enfermidade?
Somos criadores, portanto creio que a melhor forma é criarmos saúde. E, se criarmos saúde, não teremos que prevenir nem combater a enfermidade, porque seremos saúde.

E se aparecer a doença?
Teremos, pois, de aceitá-la, porque somos humanos. Krishnamurti também adoeceu de um câncer de pâncreas e ele não era  alguém que levasse uma vida desregrada. Muita gente espiritualmente muito valiosa já adoeceu. Devemos explicar isso para aqueles que creem que adoecer é fracassar.
O fracasso e o êxito são dois mestres e nada mais. E, quando tu és o aprendiz, tens que aceitar e incorporar a lição da enfermidade em tua vida.. Cada vez mais as pessoas sofrem de ansiedade. A ansiedade é um sentimento de vazio, que às vezes se torna um oco no estômago, uma sensação de falta de ar. É um vazio existencial que surge quando buscamos fora em vez de buscarmos dentro. Surge quando buscamos nos acontecimentos externos, quando buscamos muleta, apoios externos, quando não temos a solidez da busca interior. Se não aceitarmos a solidão e não nos tornarmos nossa própria companhia, sentiremos esse vazio e tentaremos preenchê-lo com coisas e posses. Porém, como não pode ser preenchido de coisas, cada vez mais o vazio aumenta.

Então, o que podemos fazer para nos libertarmos dessa angústia?
Não podemos fazer passar a angústia comendo chocolate ou com mais calorias,ou buscando um príncipe fora. Só passa a angústia quando entras em teu interior, te aceitas como és e te reconcilias contigo mesmo. A angústia vem de que não somos o que queremos ser, muito menos o que somos, de modo que ficamos no "deveria ser", e não somos nem uma coisa nem outra. O stress é outro dos males de nossa época. O stress vem da competitividade, de que quero ser perfeito, quero ser melhor, quero ter uma aparência que não é minha, quero imitar. E realmente só podes competir  quando decides ser um competidor de ti mesmo, ou seja, quando queres ser único, original, autêntico e não uma fotocópia de ninguém. O stress destrutivo prejudica o sistema imunológico. Porém, um bom stress é uma maravilha, porque te permite estar alerta e desperto nas crises e poder aproveitá-las como oportunidades para emergir a um novo nível de consciência.

O que nos recomendaria para nos sentirmos melhor com nós mesmos?
A solidão. Estar consigo mesmo todos os dias é maravilhoso. Passar 20 minutos consigo mesmo é o começo da meditação, é estender uma ponte para a verdadeira saúde, é aceder o altar interior, o ser interior. Minha recomendação é que a gente ponha o relógio para despertar 20 minutos antes, para não tomar o tempo de nossas ocupações. Se dedicares, não o tempo que te sobra, mas esses primeiros minutos da manhã, quando estás rejuvenescido e descansado, para meditar, essa pausa vai te recarregar, porque na pausa habita o potencial da alma.

O que é para você a felicidade?
É a essência da vida. É o próprio sentido da vida. Estamos aqui para sermos felizes, não para outra coisa. Porém, felicidade não é prazer, é integridade. Quando todos os sentidos se consagram ao ser, podemos ser felizes. Somos felizes quando cremos em nós mesmos, quando confiamos em nós, quando nos empenhamos transpessoalmente a um nível que transcende o pequeno eu ou o pequeno ego. Somos felizes quando temos um sentido que vai mais além da vida cotidiana, quando não adiamos a vida, quando não nos alienamos de nós mesmos, quando estamos em paz e a salvo com a vida e com nossa consciência. Viver o Presente.

É importante viver no presente? Como conseguir?
Deixamos ir-se o passado e não hipotecamos a vida às expectativas do futuro quando nos ancoramos no ser e não no ter, ou a algo ou alguém fora. Eu digo que a felicidade tem a ver com a realização, e esta com a capacidade de habitarmos a realidade. E viver em realidade é sairmos do mundo da confusão.

Na sua opinião, estamos tão confusos assim?
Temos três ilusões enormes que nos confundem:
Primeiro: cremos que somos um corpo e não uma alma, quando o corpo é o instrumento da vida e se acaba com a morte.
Segundo: cremos que o sentido da vida é o prazer, porém com mais prazer não há mais felicidade, senão mais dependência.. Prazer e felicidade não são o mesmo. Há que se consagrar o prazer à vida e não a vida ao prazer.
Terceiro: ilusão é o poder; desejamos o poder infinito de viver no mundo. E do que realmente necessitamos para viver? Será de amor, por acaso?
O amor, tão trazido e tão levado e tão caluniado, é uma força renovadora. O amor é magnífico porque cria coesão. No amor tudo está vivo, como um rio que se renova a si mesmo. No amor a gente sempre pode renovar-se, porque ordena tudo. No amor não há usurpação, não há transferência, não há medo, não há ressentimento, porque quando tu te ordenas, porque vives o amor, cada coisa ocupa o seu lugar, e então se restaura a harmonia. Agora, pela perspectiva humana, nós o assimilamos com a fraqueza, porém o amor não é fraco.
Enfraquece-nos quando entendemos que alguém a quem amamos não nos ama. Há uma grande confusão na nossa cultura. Cremos que sofremos por amor, porém não é por amor, é por paixão, que é uma variação do apego. O que habitualmente chamamos de amor é uma droga. Tal qual se depende da cocaína, da maconha ou da morfina, também se depende da paixão. É uma muleta para apoiar-se, em vez de levar alguém no meu coração para libertá-lo e libertar-me. O verdadeiro amor tem uma essência fundamental que é a liberdade, e sempre conduz à liberdade. Mas às vezes nos sentimos atados a um amor. Se o amor conduz à dependência é Eros. Eros é um fósforo, e quando o acendes ele se consome rapidamente em dois minutos e já te queima o dedo.Há amores que são assim, pura chispa. Embora essa chispa possa servir para acender a lenha do verdadeiro amor. Quando a lenha está acesa, produz fogo. Esse é o amor impessoal, que produz luz e calor.

Pode nos dar algum conselho para alcançarmos o amor verdadeiro?
Somente a verdade. Confia na verdade; não tens que ser como a princesa dos sonhos do outro, não tens que ser nem mais nem menos do que és. Tens um direito sagrado, que é o direito de errar; tens outro, que é o direito de perdoar, porque o erro é teu mestre. Ama-te, sê sincero contigo mesmo e leva-te em consideração. Se tu não te queres, não vais encontrar ninguém que possa te querer. Amor produz amor. Se te amas, vais encontrar amor. Se não, vazio. Porém nunca busques migalhas, isso é indigno de ti. A chave então é amar-se a si mesmo. E ao próximo como a ti mesmo. Se não te amas a ti, não amas a Deus, nem a teu filho, porque estás apenas te apegando, estás condicionando o outro. Aceita-te como és; não podemos transformar o que não aceitamos, e a vida é uma corrente permanente de transformações.





 


REZA PELAS VÍTIMAS RECOMENDADA POR LAMA ZOPA


De: porta secreta da paz <portasecretadapaz@gmail.com>
Data: 14 de março de 2011 01:05
Assunto: REZA PELAS VÍTIMAS RECOMENDADA POR LAMA ZOPA
Para:

Querida Sangha,
 
Repasso mensagem carinhosamente enviada por Zinda! Todos os tipos de preces e meditações são bem vindos nesse momento pelas vítimas do Japão.
 
Tashi Delek,
Denise
 

REZA PELAS VÍTIMAS RECOMENDADA POR LAMA ZOPA (Prática de Kshitigarbha)

Oração e Mantra de Guru Shakyamuni


La ma tön pa chom dän dä

De zhin sheg pa dra chom pa

Yang dag par dzog päi sang gyä

Päl gyäl wa shakya thub pa la

Chhag tshäl lo chhö do kyab su chhi wo

Jin gyi lab tu söl

Ao guru, o fundador, bhagavan, tathagata, arhat,

buda perfeitamente realizado,

glorioso conquistador Buda Shakyamuni,

eu me prosterno, faço oferecimentos, e busco refúgio.

Por favor, conceda-me as suas bênçãos.

Prática de Kshitigarbha

Eu me prosterno, busco refúgio e faço oferecimentos ao bodhisattva Kshitigarbha, que possui uma compaixão incomparável por mim e por todos os seres sencientes sofredores cujas mentes estão obscurecidas, que possui qualidades semelhantes ao céu, que libera os seres sencientes de todos os sofrimentos e concede toda felicidade. Por favor, conceda-nos as suas bênçãos! (3x)

Com as mãos unidas em prosternação, você pode visualizar que está se prosternando a todos os budas e bodhisattvas – que se tornam prosternações quando você pronuncia a palavra "prosternação." Quando você diz "refúgio," pense que você está pedindo para se libertar dos dois obscurecimentos (para ser capaz de alcançar a iluminação). Quando você diz a palavra "oferecimentos," pense que todos os oferecimentos que você tem e depois ofereça.Então, quando você pedir "bênçãos," leve à mente o caminho complete até a iluminação – esta é a bênção que será recebida.Portanto os vastos benefícios deste mantra serão traduzidos.Este é o mantra que Kshitigarbha ouviu de budas em número iguais aos grãos de areia do rio Ganga (o rio Ganges na Índia). Ele fez oferecimentos a eles e depois recebeu este mantra. Esta é a estória do mantra – como receber todos os benefícios. Este mantra deve ser usado em quaisquer dificuldades ou problemas. É o melhor a ser usado para qualquer problema em qualquer situação. Recitá-lo até mesmo somente quatro ou cinco vezes – umas poucas vezes – é muito poderoso. O mantra fala muito do poder, demonstrando como o bodhisattva é importante. Mesmo recitar ou simplesmente pensar no nome do bodhisattva é muito, muito poderoso.

Mantra Longo:

CHHIM BHO CHHIM BHO CHIM CHHIM BHO / AKASHA CHHIM BHO / VAKARA

CHHIM BHO / AMAVARA CHHIM BHO / VARA CHHIM BHO / VACHIRA CHHIM

BHO / AROGA CHHIM BHO / DHARMA CHHIM BHO / SATEVA CHHIM BHO /

SATENI HALA CHHIM BHO / VIVA ROKA SHAVA CHHIM BHO / UVA SHAMA

CHHIM BHO / NAYANA CHHIM BHO / PRAJÑA SAMA MONI RATNA CHHIM BHO /

KSHANA CHHIM BHO / VISHEMA VARIYA CHHIM BHO / SHASI TALA MAVA

CHHIM BHO / VI AH DRASO TAMA HELE / DAM VE YAM VE / CHAKRASE /

CHAKRA VASILE / KSHILI PHILE KARAVA / VARA VARITE / HASERE PRARAVE /

PARECHARA BHANDHANE / ARADANE / PHANARA / CHA CHI CHA CHA / HILE

MILE AKHATA THAGEKHE / THAGAKHI LO / THHARE THHARE MILE MADHE /

NANTE KULE MILE / ANG KU CHITABHE / ARAI GYIRE VARA GYIRE / KUTA

SHAMAMALE /TONAGYE TONAGYE / TONAGULE / HURU HURU HURU / KULO

STO MILE / MORITO / MIRITA / BHANDHATA / KARA KHAM REM / HURU HURU

Mantra Curto:

OM AH KSHITI GARBHA THALENG HUM

Louvor de Buda a Kshitigarbha

Você gerou a estabilidade de pensamento e o pensamento puro e altruísta da bodhichitta e eliminou os sofrimentos de imensuráveis seres sencientes. Eu vejo (os seres sencientes) recebendo felicidade como a vinda da jóia que realiza desejos, e que com o vajra você corta as redes das dúvidas dos seres. Você faz oferecimentos santos aos destruidores de inimigos e aos qualificados idos além, com o pensamento e a perseverança da grande compaixão. Você libera os seres sencientes de seus sofrimentos com oceanos de sabedoria. Por não ter qualquer medo (delusões), você foi além do samsara.

Brahma ouviu este mantra e depois disse para toda a assembléia, "Por favor, rejubilem-se com o mantra que eu acabei de dizer."

E Buda disse, "Muito bom, muito bom."

Esta prática é especialmente benéfica para aqueles que estão com problemas pesados, sérios problemas de saúde, grandes projetos, ou dificuldades financeiras. Eu o sugiro como extremamente poderoso para ser recitado todos os dias para proteção, pelo menos quatro ou cinco vezes, ou mais, dependendo de quão crucial seja a situação.

Esta prática é eficaz até para as lavouras crescerem bem e para proteger a terra e as lavouras. No sutra do bodhisattva Kshitigarbha estão explicados os benefícios e as qualidades: eles são como céus de benefícios a todos os seres. Houve experiências e benefícios similares (àqueles mencionados no sutra) que foram recebidos por praticantes de Kshitigarbha.

Colofão:

Esta prática foi compilada e ditada para Getsul Thubten Nyingje por Lama Zopa Rinpoche em Madison, Wisconsin, em 30 de junho de 1998 e subsequentemente verificada. Ligeiramente editada por Murray Wright e Kendall Magnussen, na Land of Medicine Buddha, em 24 de agosto de 1998. Foi revisada dia 05 de abril de 1999 em Aptos, CA, EUA. Edições adicionais, FPMT – Serviços de Educação, agosto de 2000. Mantras verificados junto ao tibetano e maiores revisões concluídas em 31 de outubro de 2001. Traduzido para o português pelo Escritório de Traduções da FPMT-Brasil em 11 de março de 2011.

 
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Pedimos desculpa se esta informação não for de seu interesse.
LEIA A CRÔNICA DIÁRIA DE ROGEL SAMUEL:
http://literaturarogelsamuel.blogspot.com/

NOSSO BLOG:

http://sakyakunkhiabcholing.blogspot.com/
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domingo, 13 de março de 2011

Conheçam o Projeto Gaiola Aberta!!



Pessoas,

Hoje eu vim contar a história de um projeto que me emociona muito - o Projeto Gaiola Aberta.

http://projetogaiolaaberta.wordpress.com/about/
http://projetogaiolaaberta.wordpress.com/


Localizado em Mato Dentro na cidade de Cerquilho, é uma prova viva de amor e respeito pela natureza, coordenado por Antônio Fernandes Miranda - o idealizador de todo esse trabalho e que o mantém sozinho por cerca de seis anos de muita luta, desafios, dificuldades financeiras e não menos importante, muita garra. Conta com o auxílio de voluntários e tratadores que de igual forma amam os animais e respeitam sua condição de livres.

Partindo do princípio de que "manter animais silvestres em cativeiro é crime", a principal tarefa e desafio do "Gaiola Aberta" é recuperar animais silvestres, que serão tratados por veterinários e somente depois de reabilitados são soltos para o lugar de onde nunca deveriam te sido retirados - seu habitat natural.

O projeto possui um programa de reflorestamento da mata nativa frutífera que serve de alimentação e dormitório para os animais, contando com o apoio de voluntários para o acompanhamento desses animais que são novamente introduzidos na natureza, bem como a implantação e monitoramento de ninhos artificiais.

Promove eventos de educação ambiental por meio de palestras em escolas, indústrias, entre outros.

Tenho a consciência de que muita gente vai pensar: "Poxa, a Mírian é uma ecochata, sempre falando de animais, árvores, vegetarianismo, etc e etc. Todavia, mais do que isso, tenho a consciência de que somos parte desse universo assim como os animais, as árvores etc e etc. O vegetarianismo é uma opção da minha parte e ponto, mas o respeito por cada ser que divide conosco esse mesmo universo é uma obrigação moral e quando eu digo "obrigação moral", me refiro à conscientização de que da maneira como nós seres humanos, conduzimos as coisas nesse planeta não teremos para onde fugir, nem teremos onde chegar. O futuro da humanidade é negro quando penso em todas as formas em que o planeta está sendo desrespeitado, desafiado, devastado, usurpado...assassinado.
Quando mexemos com a natureza, furtamos seus frutos, caçamos seus animais, estamos desorganizando todo um ecosistema que depende em cadeia um do outro para que o planeta e tudo que há nele sobreviva. Estamos bagunçando a ordem natural das coisas e descontrolando o ciclo da vida.
Por isso penso que nunca é tarde para abrirmos os olhos para um mundo novo, para uma postura de respeito e de verdade para com todos os seres e dessa forma galgar o futuro de mundo melhor...afinal, todos nós dependemos dele, e nossos filhos, e nossos netos e bisnetos.

Peço então à todos os meus seguidores e amigos pessoais que reflitam, procurem conhecer os projetos de conscientização ambiental e um belo exêmplo disso é o "Gaiola Aberta".
Quero pedir também que ajudem na propagação desse projeto, divulgando, espalhando essa idéia, doando porque o projeto não sobrevive sem ajuda e sem doações. Sugiro a camisa de apoio ao projeto que é linda e custa apenas R$35,00 mais frete. Eu já tenho a minha, garantam a sua também.
Só pra vocês terem uma idéia: Cada 4 camisas vendidas garantem a compra de um saco de ração.
A camisa está disponível nos modelos baby look tamanho M e camisa padrão nos tamanhos P, M, G e GG.

Conheçam o projeto clicando aqui.



Seguem as fotos com um pouco do motivo pelo qual esse projeto me encanta e emociona:
Alguns já começam à reconhecer o projeto
A emoção do vôo de liberdade.
Alguns depois de soltos voltam como uma forma de agradecimento
Tucano mutilado.
Os cuidados de quem ama esses seres.
Tucano de bico verde.
Liberdade não tem preço!!

"Liberdade liberdade, abre as asas sobre nós e que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz"




Abraço à todos,
Mírian Martins.
 

Minha foto

Mírian Martins.

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"Ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo" e compreenda efetivamente junto aos esclarecimentos da espiritualidade superior, que:

 "Tudo que vive é teu próximo"

 

"Chegará o dia em que os homens conhecerão o íntimo dos animais, e, neste dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a humanidade"
Leonardo da Vinci (1452-1519)

 

"A compaixão pelos animais está intimamente ligada a bondade de
caráter, e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os
animais não pode ser um bom homem"
Arthur Schopenhauer


"Os animais não existem em função do homem,eles possuem existência e valor próprios. Uma moral que não incorpore esta verdade é vazia. Um sistema jurídico que a exclua é cego"
Tom Regan


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